sexta-feira, 22 de junho de 2012

Relato: Okupe-se (09/06/12)

Relato do evento "OKUPE-SE: contra as vozes da razão".
Que ocorreu no dia 09/06/2012 na cidade de Campina Grande, Paraíba - Brasil.
Na Ocupação do Cine São José
Divulgação do evento link



     Voltando aqui para mais um relato sobre as atividades do Heresia Coletiva que ocorreram na Ocupação do Cine São José, para mostrar que não sera as vozes que proclamam suas razões absolutas, que prendem ideias e proporcionam desafios para os meros mortais. Ocuparmos um dia todo com atividades, troca de ideias , exposição de arte marginal, lançamento de zines e livro independente, para mostrar que não existe fronteiras entre as ideias, pessoas de vários estados e regiões do país juntos em um momento tão especial.

       Estamos observando que a volta das atividades na Ocupação, tem deixado muita gente irritada. Por coincidência ou não, novamente uma semana antes do evento que já estava sendo divulgado com 1 mês de antecedência, nos aparecem os fantasmas do governo junto de seus representantes que se dizem a favor da cultura para ameaçar mais uma vez as ações e atividades no espaço.
      Nos reunimos e discutimos o futuro do evento , então se decidiu continuar com o planejado, todas as atividades marcadas continuariam a ser realizadas. 

     Chegando no sábado, ainda tinha um clima de apreensão, mas não foi motivo para nos abalar.



   Logo cedo, no horário marcado, já tinham pessoas na frente do espaço. Apos uma limpeza rápida, montamos tudo, a mesa com zines, onde novos zines foram lançados no dia. Algo que esta me deixando bastante contente é esses novos lançamentos de zines que vem ocorrendo periodicamente aqui na cidade, diferentes grupos de indivíduos afim de movimentar algo e não deixar seus textos dentro de gavetas sendo cobertos por poeira.



   Então, ali conversas iam acontecendo, pessoas se conhecendo.
   Estávamos esperando a chegada de Cristiano do Rio e do pessoal da Egrégora de Salvador, que estavam vindo de outra cidade de rolé pelo nordeste.
   Então ocorreu o lançamento do livro Câmera Lenta e da exposição de arte marginal.




    Então é chegada a hora que todos estavam esperando, o momento de comer um rango vegan e deixar todos felizes com deliciosas comidas. Combinamos por tanto de levarmos comidas diferentes para as pessoas que não tem tanto contato com a dieta vegan pode-se ver como nos alimentamos bem, com delicias  sem causar nenhuma dor e sofrimento a nenhum ser.




 Na parte da tarde, resolvemos ir para a parte de trás da ocupação, onde tem um grande quintal e o clima la é mais agradável.
 Então, ocorreu o bate-papo sobre literatura independente, onde vimos como fazer,  mesmo sem incentivos uma produção totalmente faça-você-mesmo , a autonomia do seu cotidiano. 

Onde rolou um bate-papo entre os integrantes da banda Egrégora (de Salvador), o escritor Cristiano Onofre (do RJ) e a galera do Heresia Coletiva. A reunião rolou de forma tribal e não formal. Pessoas agachadas em meio as ervas teimosas nascidas no chão duro do velho Cine São José. 
Cristiano falou um pouco de sua vida, suas experiências literárias e a influência DIY em suas produções. Um dos pontos mais interessantes de sua fala foi quando nos disse que começou a escrever seus contos e textos em zines de sua autoria.. 
Já a banda Egrégora nos relatou sua experiência em Okupas e espaços autônomos, e deu alguns toques valiosos e esclarecedores sobre a realidade e a dinâmica de uma okupa.

Desde um ato de escrever um zine, de produzir um livro sem fins lucrativos e movimentar espaços autônomos as dificuldades e desafios que pode encontrar no caminho. Mas o que nos fortalece é saber que existe mais e mais pessoas que pensam e tem aquela energia para passar pra frente. A autonomia de cada uma no seu dia-a-dia, para nunca deixarmos atitudes externas abalar os envolvimentos e o sentimento de produzir.
Essa parte da tarde foi bem prazerosa e descontraída.




Depois de todo esse dia movimentado, chegou a noite, alguns foram se alimentar para a noite que ainda estava por começar e outros foram andar pela cidade.

Na parte da noite que foi reservada para o momento de descontração, diversão, alegria e relaxar. Uma tocada com as bandas de amigos, uma noite bem divertida e de longas risadas. A muito tempo que eu não tinha um dia tão produtivo assim e divertido. 



E tudo isso que ocorreu, foi algo muito especial, foi intenso, rápido, ótimas companhias, que fazem tudo isso a cada dia valer mais e mais.
A todxs que compareceram (e aos que não foram), aos que participaram diretamente e indiretamente disso tudo. Que passar por um final de semana desses, acordar ainda cansado e com um sorriso no rosto, sempre espero encontrar pessoas que deixem esse tipo de sentimento.
Ao pessoal de João Pessoa, Campina Grande, Salvador, Rio de Janeiro, Natal, Esperança, Lagoa de Roça, etc.


relato por: Luan e Junior



segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Paz Possível


A   p a z   p o s s í v e l

O silêncio absoluto não existe. O único modo de encontrar o silêncio é libertando-se de todos os incômodos, deixando para trás os ruídos de uma vida caótica e cheia de sentimentos extremos. Obviamente, contudo, isto é uma utopia.
A paz – que pode ser compreendida como um sinônimo deste silêncio – é um sonho que todas as filosofias humanas até este momento têm perseguido. Uns procuram encontrá-la nas coisas materiais e palpáveis; outros julgam-na abstrata e imanente, isto é, interior e inseparável do sujeito. De todos os modos, perseguem um ideal que torna a existência incompleta e a verdadeira paz (a paz possível) algo difícil de alcançar.
O lado ruim desta busca por um ideal é evidente: quando o homem ignora todos os problemas, deixando-se levar pelas decisões de outros homens privilegiados com poder político, torna-se um animal adestrado, um ser que irá para o abate de bom grado na hora que isto convir aos seus líderes. Os marxistas chamariam este homem de “alienado”, os estoicistas o chamariam de “feliz”, mas o pensamento que se adéqua melhor ao nosso tempo é muito semelhante àquele que em outras épocas inspirou combates: será esta a paz que precisamos? Esta pax romana administrada com terror físico e ideológico pode realmente se sustentar?
A resposta é NÃO.
Embora seja a opção mais confortável, esta paz permanecerá conduzida por uma minoria populacional (geralmente a mais rica e bem armada). Aqueles que controlarem o sistema serão os mesmos que ditarão as regras. Só que regras sociais atingem diferentes classes de diferentes maneiras. O que é confortável a um rico (como o pagamento de fianças) é completamente injusto com o pobre (que permanecerá preso). O que interessa a um governo autoritário (como a violência policial) pode promover um etnocídio e destruir a memória de movimentos libertários. Num país como o nosso, de classe média emergente, é comum que cresça o pensamento fascista e é neste momento que esta informação deve ser propagada: as maiores atrocidades cometidas por seres humanos deram-se quando a maioria da população passou a ver a violência com bons olhos. 
“Bandido bom é bandido morto”, ouvimos aqui e acolá. De repente, o esporte mais popular do país está se tornando a luta livre. O Exército está subindo a favela. O delegado afirma no jornal que vai “limpar” a cidade. Policiais testam o gás de pimenta em jovens como se fossem crianças empolgadas com um brinquedo novo.
O governo de São Paulo impede a imprensa de entrar em Pinheirinho durante a “realocação” da população para um bairro novo (sem esgoto e sem água) e o país nunca saberá da mãe que teve sua filha de 4 anos assassinada por um policial e, na tentativa de localizar o corpo da menina, entrou numa ambulância e desapareceu para nunca mais dar notícias. O país nunca terá estatísticas para medir a quantidade de jovens pobres, negros, homossexuais, viciados, que são assassinados pela PM de madrugada e nunca chegarão a um cemitério porque, para o sistema, valem menos do que indigentes. Que merda de paz é essa? 
Este silêncio que ouvimos agora é tão mentiroso quanto esta paz. Ele é resultado de uma hipnose que já dura décadas. A paz que precisamos, neste momento, não é interna ou externa. Temos de admitir com urgência que a paz que precisamos está na luta constante contra a opressão. Precisamos questionar todo tipo de dominação com os melhores argumentos para que cada vez mais pessoas saibam lutar por si mesmas e pelas pessoas que as interessam. Devemos lutar para salvar nosso mundo, não o mundo de alguns de nós, porque nenhum ser humano nasce melhor do que outro. Só se pode olhar outro homem de cima se for para ajudar-lhe a se levantar. 

Por Daniel Magalhães

texto retirado do Zine: Heresia Coletiva 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Doc: Squat 69 (Ungdomshuset)

Documentário (legendado) sobre o Squat 69 


Sinopse: 69" é um documentário dirigido por Nikolaj Viborg, sobre um grande grupo de jovens que não se viam culturalmente ou políticamente, como parte da sociedade estabelecida. Em 1982, eles ocupavam legalmente o que era conhecido como a Casa da Juventude (Ungdomshuset) com o Jagtvej 69, nos arredores do centro da cidade de Copenhague na Dinamarca. O filme retrata a situação do grupo em 2007, documentando o tempestuoso últimos seis meses da história da Casa da Juventude, onde o grupo age radicalizados contra o estabelecimento. Seguindo o círculo de ativistas, nós aprendemos mais sobre o grupo, as razões de suas ações, e a causa de sua situação.

                                                         Vídeo Completo do Doc

link pra download do documentário legendado:

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Uma Crônica Sobre Homofobia


"Nada Contra"

Não tenho nada contra homofóbicos. Eu, inclusive, tenho muitos amigos que são. O problema é que tem uns homofóbicos escandalosos, que não conseguem ser discretos. Ficam dando pinta que não gostam de gay, sabe? Tudo bem ser uma pessoa rancorosa e preconceituosa, mas não em público. Entre quatro paredes e bem longe de mim, tudo bem. Nada contra mesmo.
É impressionante o quanto eles se acham no direito de ficar com pouca vergonha na frente de todo mundo. Outro dia ouvi um cara dizer, em plena luz do dia e para quem quisesse ouvir, que “gay é abusado, mexe com homem na rua mais do que homem mexe com mulher”. Acredita? Mas já vi e ouvi coisas piores. “Tenho nojo de homem se pegando” ou “essas menininhas que se beijam não são bissexuais coisa nenhuma, só querem chamar atenção dos homens” ou ainda “te sento a vara, moleque baitola”, e por aí vai. E se alguém critica, logo apelam para “ah, foi só uma piada” ou “é a minha liberdade de expressão” ou ainda “está na Bíblia”. O horror, o horror.
Ser homofóbico é uma opção, mas ninguém tem a obrigação de aceitar, né. É muito constrangedor ver alguém olhando feio para duas pessoas do mesmo sexo se beijando. Como eu vou explicar para os meus filhos que existe gente intolerante? O pior é que nem na escola as crianças estão a salvo. Querem ensinar nossos filhos a serem homofóbicos, imagina! Quando você percebe, já é tarde demais: uma amiga minha foi chamada pela diretora porque o filho foi pego espancando um colega no intervalo. Tudo porque o rapaz era gay. Minha amiga, coitada, não aguentou a decepção de ter um filho homofóbico. Ela diz que é só uma fase, que vai passar. Por garantia, levou o menino no psicólogo.
Acredite, homofobia tem cura. Soube de uns casos de conversão que parecem até milagre. Em um dia, a pessoa estava lá, odiando gays, militando contra o direito dos homossexuais ao casamento civil, fazendo marcha pela família e tudo o mais. Mas com um pouquinho de empatia e bom senso, eles começaram a ver que não tinham nada que se meter com a sexualidade dos outros. E como o respeito é todo-poderoso e misericordioso, os ex-homofóbicos viram que os gays eram boas pessoas e também mereciam os mesmos direitos. Hoje dão testemunho de tolerância.

Murillo Chibana
Agora, tão preocupante quanto homofóbicos exibidos e sem-vergonha são aqueles que não se assumem. Aqueles que não saem do armário, que se fazem de pessoas normais e sem ódio no coração, mas que, no fundo, no fundo, também são fiscais de cu alheio. Pensa comigo: você sai com uma pessoa dessas, sem saber da opção de ignorância dela, e começam a pensar que você também é homofóbico, igual a ela. E todos sabemos que homofóbicos são abominações, ninguém quer ser confundido com um deles. Além disso, onde enfiar a cara quando eles resolverem se revelar e soltarem um “odeio viado” assim, do nada?
Mas não me leve a mal. Não tenho nada contra os homofóbicos, apenas não concordo com a homofobia. Essa doença quase sempre vem acompanhada de outros preconceitos, como o machismo e o racismo. É um caminho sem volta. Fico triste de ver tantos jovens se perdendo nesse mundão de ódio gratuito. É por essas e outras que prefiro ter um filho gay a um filho homofóbico. Ah, você quer saber se eu vou aceitar e amar um filho que virar homofóbico? Como alguém já disse por aí, eles não vão correr esse risco; vão ser muito bem educados.

terça-feira, 22 de maio de 2012

OKUPE-SE

09 de junho/2012 em Campina Grande, PB - Brasil

Okupe seu dia com atividades, um dia para contestar as vozes que proclamam a verdade absoluta, que condenam a liberdade e aprisionam o indivíduo dentro de suas morais e valores desgastados.
Não deixe o comodismo fazer de você mais uma vítima, não deixe o sentimento de inoperância calar sua voz.  Mova-se e não espere que seja proposto, faça-você-mesmo.

Okupe-se o dia todo com atividades, troca de ideia e tocada.
segue abaixo a programação.
                                                                     

Campina Grande, PB
Outono de 2012

OKUPE-SE 
 contra as vozes da razão absoluta

Local: CINE SÃO JOSÉ
Data: 09/06/12

10h
- Distribuição de mudas de plantas
- Exposição de Arte Marginal
- Zines
- Lançamento do livro "
Câmera Lenta" de Cristiano Onofre (que vem do Rio de Janeiro, em tour pelo Nordeste, lançando seu livro.)

12h - Rango Vegan
         Bate-papo sobre Culinária Vegan

14h - troca de ideia sobre:
-  " Literatura independente e arte marginal "
-  " Autonomia do cotidiano, cotidiano da autonomia"





Na parte da Noite.

Local: VITROLA BAR
as 21h

Entrada: R$ 3,00

Tocada
Okupe-se: contra as vozes da razão absoluta

com as bandas

- Egrégora   (Salvador - BA)
- Darksiders (João Pessoa - PB)
- T.O.S.I.    (Campina Grande - PB)
- Solte Barrabäs! (Campina Grande - PB)
- Deus Verme  (Mossoró - RN)




segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sob a benção de um deus?




Sempre achei muito interessante como em movimentos de contestação e de contra-cultura a liberdade é valorizada, mas ao mesmo tempo em que são combatidas as culturas de rebanho, surgem líderes e formadores de opinião para dizer o que (ou quem) deve ser aceito e o que deve ser recusado. Sempre achei muito interessante também como a liberdade é exaltada ao mesmo tempo em que surgem julgamentos para condenar ou absolver, para decretar quem é REAL e quem é FALSO.

Não falo aqui exclusivamente de um caso isolado, mas no geral o que presencio (e vivo, sentindo na pele diversas vezes) em Campina Grande como também sei que acontece em vários lugares pelo mundo afora. Os senhores da razão sempre existirão para nos julgar. E quem os julga? Eu? Longe de mim! Não tenho autoridade para isso, afinal não sou NADA. Que os senhores julguem-se entre si, alimentado este ciclo vicioso de guerra de egos, e assim o mundo caminha.

A cada dia mais me sinto em uma patética trama global de “Malhação”: O enredo muda, mudam os atores e personagens, mas as historinhas são sempre as mesmas!

Ass: Vespa
NEM PUNK, NEM METAL, NEM ROCKEIRO, NEM UMA OVELHA, APENAS UM INDIVÍDUO!


P.S: Esse texto vai para o meu amigo “Rahu!” do blog neptuneon.blogspot.com que recentemente fez um texto usando o título do livro “Patrulhas ideológicas” de Eloísa Buarque de Hollanda e chegou a abordar uma temática parecida com o que trato agora. Inclusive citou o Heresia Coletiva, valeu a força!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O livro "Câmera Lenta"


O livro "Câmera Lenta", do carioca Cristiano Onofre, é uma coletânea com três contos escritos entre 2008 e 2010. Retratando o cotidiano violento e doentio de personagens afetadas pela sociedade dita civilizada. 
Embora sejam ficções, narram muito bem o que é ser o produto da metrópole cruel e suja, em todos os sentidos. 

Lançando e distribuindo de maneira totalmente independente, Cristiano, escritor, desenhista, professor e músico também leva junto a si um debate sobre literatura e arte independente, ressaltando a importância da cultura marginal e de como tal modelo de confecção artística pode ser parte da constante luta pela liberdade de expressão, artística e, é claro, um desabafo das minorias. 

LIVRO: Câmera Lenta 
Formato de bolso, 135 páginas.

AUTOR: Cristiano Onofre

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Distopias na Literatura


DISTOPIAS.

por: Júnior AngNo.


            Distopias são obras na literatura e no cinema que pintam um futuro terrível: uma sociedade vivendo sob um regime totalitário (Farenheit 451) e valores decadentes (Laranja Mecânica e Admirável Mundo Novo), sem que sejam capazes de se defenderem ou de perceberem tal situação devido a métodos sofisticados de domínio que vão da violência física até, e principalmente, ao controle mental (Matrix e 1984).
            As distopias, na verdade, falam mais sobre de um presente conflituoso do que um futuro desconhecido. Dois exemplos. Primeiro, 1984 (1948) antecipava aos leitores um clima de vigilância e perseguições tão comuns durante o período da Guerra Fria (1945-1991). Segundo, em Matrix a realidade é um software, uma ilusão promovida/patrocinada por máquinas super inteligentes e que controlaram/dominam os humanos. Podemos perceber em Matrix certo tom pessimista em relação a revolução tecnológica e a atual sociedade da informação na qual estamos inseridos.
            Alguns “avisos” dessas obras proféticas já podem ser percebidos como os mecanismos de vigilância cada vez mais apurados, previstos na obra de Orwell, e grupos que cultivam o ódio e a violência gratuita como grupos de skinheads espalhados pelo mundo, previstos na obra de Burgees.
            As obras distópicas demonstram grande pessimismo e descrença com relação aos discursos e verdades que explicavam/construíam a realidade prometendo um futuro grandioso: comunismo, capitalismo e totalitarismo. As obras distópicas são, portanto, obras antiutópicas.


"NÓS" (1924) - Yevgeny Zamyatin. Uma das primeiras obras distópicas do século 20. A sociedade vive sob o domínio de um Estado totalitário e que considera o livre-arbítrio algo maléfico a ordem vigente. As casas e outros ambientes são feitos de materiais transparentes permitindo maior visibilidade e controle por parte do estado e dos habitantes que tambem se regulam. Na URSS o livro era proibido, só voltando a ser editado com a queda dos Governos Comunistas.





"ADMIRÁVEL MUNDO NOVO" (1932)Aldous Huxley. Outro livro distópico bastante conhecido. Nessa obra as pessoas são produzidas e divididas em castas e que possuem determinadas funções dentro da sociedade. Castas superiores vinham de óvulos perfeitos enquanto que as castas inferiores eram produzidas a partir da fertilização de óvulos inferiores, processo esse chamado de Bokanovsky. Quando tristes e descontentes com a realidade, os indivíduos ingeriam uma droga chamada soma, que facilitava a servidão e evitava desvios de ideias e comportamentos. 
(livro em PDF Link)
                                                                                      
  
                                                                                          
 "1984" (1948)George Orwell. Juntamente com Admirável Mundo Novo, Farenheit 451 e Laranja Mecanica é uma das mais conhecidas e profundas obras distópicas já produzidas. Um Estado totalitário e violento controla seus cidadãos por meio de Teletelas (tela que permite ver e ser visto) e intensa propaganda governamental. Duplipensar, Novilingua e crimideia são palavras corriqueiras na obra. Duplipensar é a principal tática usada pelo Partido que controla o Estado autoritário: um individuo era obrigado a arquivar em sua mente duas informações/crenças contraditórias sobre algo. Por exemplo: guerra é paz e paz é guerra.
(livro em PDF - Link)


"LARANJA MECÂNICA" (1963) – ANTHONY BURGEES. Livro que se passa numa Inglaterra futura onde jovens (skinheads?) saem a noite para se divertir estuprando, assaltando e matando pessoas por puro prazer, e onde o Estado se utiliza de meios não menos violentos para acabar com a violência. O método Ludovico consiste em uma técnica cruel de condicionamento mental e moral onde o individuo torna-se incapaz de praticar qualquer ato violento. Um indivíduo fica preso a uma cadeira, com as pálpebras pregadas a ela, onde é drogado enquanto cenas de violência extrema são passadas numa grande tela.
(livro em PDF - Link)





 "V de VINGANÇA" (1983) – ALAN MOORE. A Inglaterra de 1997 vive sob um regime totalitário e violento que chega ao poder após eventos nucleares. Adam James Susan é um ditador nos moldes de Hitler e Stalin. O regime totalitário no qual os habitantes estão inseridos é caracterizado pela repressão a liberdade sexual e a indivíduos de outras etnias. O protagonista V foi uma antiga cobaia de experimentos para armas biológicas e teve sua face e vida desgraçadas por tais projetos. A partir de então, V, usando uma máscara com os traços de um famoso conspirador inglês de nome Guy Fawkes(1570-1606) utiliza-se de ações diretas como atentados a bomba para livrar o povo. 
(série em PDF - Link)

domingo, 29 de abril de 2012

Doc: Da Servidão Moderna

                                                 

           Documentário - A Servidão Moderna
Servidão Moderna
"De la Servitude Moderne"
(França - Colômbia, 2009, 52min - Direção: Jean-François Brient)

Comentário do site oficial:
A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais.

Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado, se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir. Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação. Aí está a estranha modernidade da nossa época.

Contrariamente aos escravos da antiguidade, aos servos da Idade média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje em dia frente a uma classe totalmente escravizada, só que não sabe, ou melhor, não quer saber.

Eles ignoram o que deveria ser a única e legítima reação dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça.


                          DOCUMENTÁRIO COMPLETO E LEGENDADO NO YOUTUBE







Créditos:
1- SITE OFICIAL:
http://www.delaservitudemoderne.org/
2- Legendas em português:
http://docverdade.blogspot.com/2010/01/da-servidao-moderna-de-la-servitude.html

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pelo fim da crueldade em nome da ciência

Por vespa

Esta semana está acontecendo em todo o país ações pelo fim da utilização de animais em testes científicos, o que além de cruel e antiético, é algo de extrema ineficácia. Estas ações culminarão na II Manifestação Nacional Anti-Vivissecção e Experimentação Animal, que acontecerá em 50 cidades do Brasil no dia 28 deste mês (próximo sábado). Campina Grande é uma destas cidades.

Os testes em animais são realizados por empresas farmacológicas, de cosméticos e na área de saúde em geral. Universidades também costumam realizar esta prática (apesar de a tendência em grande parte da Europa e nos Estados Unidos ser de abolição destes métodos desnecessários e ultrapassados serem abolidos). Os testes podem consistir de aplicação de substâncias químicas ou de condicionamentos ou a chamada vivissecção. Vivissecção consiste em utilizar animais vivos abrindo suas peles, seus organismos, dissecando-os, implantando aparelhos, com o propósito de realizar estudos anátomo-fisiológico. Em latim vivus significa “vivo” e sectio, “corte”, ou seja, cortar (dissecar) um ser com vida.

As atividades por aqui se iniciaram hoje com exposição, distribuição de materiais e trocas de ideias no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual da Paraíba. No local funcionam os cursos de Farmácia, Fisioterapia, Odontologia, Psicologia e Enfermagem e todos realizam testes em animais. Houve debate com alunos pela manhã e início da tarde.





Para quem desejar entender o motivo da oposição a estes métodos, as alternativas para não se realizar estes experimentos e para quem desejar se informar sobre o assunto, segue a programação completa de Campina Grande e um texto do biólogo e ativista Sérgio Greif.






















II Manifestação Nacional Anti Vivissecção e Experimentação Animal
Campina Grande, PB – 2012

25/04 - Mobilização no CCBS da UEPB (pela manhã -  a partir das 09h)
27/04 - Mobilização na Praça da Bandeira (manhã e tarde - das 09h às 17h)
28/04 - Evento no auditório de administração da uepb, com exibição de filme e debate (às 15h)
28/04 - Gig punk anti vivissecção no vitrola bar (às 21h)

Exposição, distribuição e venda de material acerca de especismo e experimentação científica

Realização: AILA (Ações Independentes de Libertação Animal)
Apoio: Fórum Municipal de Bem-estar Animal (Campina Grande) e PAV (Proteção Animal e Vegetarianismo)


Manifesto contra a Vivissecção
Sergio Greif
Vivissecção é a prática cruenta de utilização de animais vivos com propósitos experimentais. Animais como camundongos, ratos, porquinhos-da-índia, hamsters, coelhos, sapos, aves, cães, gatos, macacos e animais de fazenda são submetidos a diferentes procedimentos destrutivos, tanto fisicamente quando psicologicamente. São exemplos destes procedimentos: realização de cortes e amputações, muitas vezes sem anestesia; ingestão, inalação ou injeção forçada de substâncias tóxicas; privação de água e alimentos ou de convívio social; condicionamento a determinadas reações mediante eletrochoques ou queimaduras; extração de materiais biológicos, etc.

A alegação mais comum para defender estas práticas é a de que seres humanos e animais domésticos são diretamente beneficiados por tais ações. Defende-se que, sem as pesquisas em animais, na atualidade o ser humano não disporia de vacinas, técnicas de transplantes, anestesias, nem das drogas que pretensamente tratam as diferentes doenças. As conseqüências disto seriam um declínio em nossa qualidade de vida, além de diminuição em nossa longevidade. Estas alegações são, no entanto, enganosas. Ocorre que, embora exaustivamente testados e aprovados em animais, todos os tratamentos acima enumerados se mostraram falhos, em sua fase de testes, em produzir efeitos promissores em seres humanos. Muitos deles, apesar da segurança comprovada em animais, produziram efeitos colaterais, e muitas vezes morte, em seres humanos.

Os experimentos prévios, realizados em animais, teriam a pretensa função de impedir que os primeiros seres humanos submetidos a determinado tratamento se tornassem “cobaias” da ciência. O que de fato ocorre, no entanto, é que experimentos em animais simplesmente são conduzidos para amenizar as responsabilidades de laboratórios que lançam no mercado drogas que mais tarde poderão vir a prejudicar seres humanos. É grande o número de drogas aprovadas pela FDA (o órgão responsável por permitir a comercialização de drogas e alimentos nos EUA) que são recolhidas das prateleiras no prazo de um ano após sua colocação no mercado. O motivo deste recolhimento é a detecção de efeitos colaterais na população humana, efeitos estes que não haviam sido detectados em testes em animais. Da mesma forma, embora a tecnologia de transplantes tenha sido toda desenvolvida com base na experimentação animal, os primeiros seres humanos submetidos a estas técnicas padeceram. Foi com base nessas experiências de transplante em seres humanos que deram errado, e não os estudos em animais, que se desenvolveram as técnicas de transplante de que dispomos hoje. Pode-se, então, deduzir que “cobaias” verdadeiras são seres humanos, sendo os animais meros adjuvantes de nossa crueldade.

Com efeito, parece curioso que poucas pessoas se questionem se realmente somos assim tão “dependentes” de todos estes tratamentos e supostos benefícios oferecidos pela medicina moderna. A indústria farmacêutica obtém seus lucros da venda de remédios, e por isso necessita convencer o cliente de que seus produtos são vitais para sua qualidade de vida. Trata-se de um negócio dos mais lucrativos, e como todo bom negócio, esta indústria se organiza em lobbies. Estes lobbies não limitam sua atuação apenas aos consultórios médicos, eles influenciam as políticas de virtualmente todos os governos, a educação formal e, por conseguinte, a forma como a população vê seus produtos.

Esforços são continuamente feitos para convencer a população de que o aumento em nossa expectativa de vida tem relação direta com a enorme disponibilidade de drogas e tratamentos de que dispomos atualmente. Curioso que fatores tais como melhores condições de moradia, de higiene, abastecimento de água limpa, saneamento, segurança alimentar, etc, fatores estes que também passaram a preponderar nas últimas décadas, são frequentemente negligenciados nesses informes em relação à nossa melhor qualidade e maior expectativa de vida.

Por outro lado, a compreensão de que dados obtidos experimentalmente de animais não podem ser extrapolados para seres humanos é simples: Ainda que partilhemos muitas características fisiológicas e metabólicas com os demais animais, é através das diferenças que as individualidades se manifestam. Desta forma, o organismo do ser humano não pode ser visualizado como o organismo do rato 200 vezes mais pesado; a dose letal de uma determinada substância para o rato não poderia ser determinada para o ser humano simplesmente multiplicando seu valor por duzentos. Ratos podem ser imunes a grandes quantidades de determinadas substâncias as quais com poucas gramas poderia se levar um ser humano saudável ao óbito. Drogas que produzem determinados efeitos em determinados animais podem produzir efeitos completamente diferentes em animais de outras espécies. Nem mesmo animais cujo metabolismo aparentemente se assemelha mais ao de seres humanos, como macacos e porcos, são bons modelos de experimentação, porque no que se refere a este assunto, não existe qualquer linearidade que confira cientificidade à extrapolação. 

Mesmo entre seres humanos a extrapolação e generalização de dados mostra-se uma atividade perigosa, devido às variações genéticas que ocorrem dentro das próprias populações humanas. Drogas que se mostram efetivas para uma determinada parcela da população podem não ter qualquer efeito, ou no pior dos casos pode significar efeitos adversos, em outra parcela da população. Com efeito, admite-se que as drogas presentes no mercado são efetivas apenas para 30-50% da população. Daí concluir-se que mesmo o ser humano não representa modelo adequado para a pesquisa de medicamentos para a espécie humana. Outrossim, há que se criar drogas específicas com base na ciência genômica.

Por este motivo afirmamos a completa inutilidade científica da experimentação animal, como também nos preocupa que esta seja a base na qual apoiamos nossa ciência. Esta metodologia conduz ao erro, ao atraso, a dados errôneos, á má-interpretação, à incoerência, ao desperdício de vidas, humanas e animais. Desta forma, propomos a abolição da vivissecção em todos os seus níveis, bem como sua substituição por uma ciência mais humanitária e que se baseie em métodos que não utilizem animais, denominados métodos substitutivos.